Devagarinho.

Devagarinho.

Sonhos de Raskólnikov (Dostoiévsky)

Nunca os homens se julgaram tão sábios, tão seguros da verdade... Nunca tinham tido mais confiança na infalibilidade dos seus juízos, na solidez das conclusões científicas e dos princípios morais. (...). Cada qual julgava saber, ele só, a verdade inteira ... Ninguém se entendia sobre o bem e o mal, nem sabia quem se havia de condenar ou absolver. Matavam-se uns aos outros levados por uma raiva absurda...Ninguém sabia e todos andavam inquietos. Cada um propunha as suas idéias, as suas reformas e não havia acordo; ... Aqui e ali se reuniam vários grupos, combinavam uma ação comum, juravam não se separar - mas logo depois esqueciam-se da resolução tomada, começavam a acusar-se uns aos outros, a bater-se, a matar-se. Os incêndios e a fome completavam o triste quadro. Homens e coisas, tudo perecia. O flagelo estendia-se cada vez mais. No mundo só podiam salvar-se alguns homens puros, predestinados a refazer a humanidade, a renovar a vida e a purificar a terra; mas ninguém via esses homens; ninguém ouvia as suas palavras e suas vozes. (Crime e Castigo)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Thomas Mann (Doutor Fausto)

...Assim crescia a arte de Beethoven acima de si própria: dos confortáveis domínios da tradição, subia, diante dos olhares da humanidade, que, espantados, a seguiam, a esferas inteiramente pessoais; um ego dolorosamente isolado no absoluto, distanciado até, em virtude da extinçao do ouvido, daquilo que os sentidos podem apanhar, o solitário príncipe de um reino de espectros, do qual apenas partiam tremores estranhos em direção aos mais bem-intencionados contemporâneos, e cujas mensagens aterradoras estes só ocasional e excepcionalmente tinham sabido captar. (...) A convenção aparecia amiúde nas obras tardias sob o aspecto de uma nudez ou ... de uma exaustão, de um abandono do ego, que por sua vez produziam um efeito mais tremendamente majestoso do que qualquer ousadia pessoal. (Capítulo VIII, 71-72).

3 comentários:

Anônimo disse...

Só agora achei o que não conseguia procurar pela anciedade de ler seu blog. Realmente uma alma artística sem ego é uma alma artística pois, transcende o eu.

Anônimo disse...

o comentário acima não tem meu nome pois, como sempre o esqueço.

Maria.

Anônimo disse...

Muito bom banksy
Parabéns Rogério Alves Zorzan