Devagarinho.

Devagarinho.

Sonhos de Raskólnikov (Dostoiévsky)

Nunca os homens se julgaram tão sábios, tão seguros da verdade... Nunca tinham tido mais confiança na infalibilidade dos seus juízos, na solidez das conclusões científicas e dos princípios morais. (...). Cada qual julgava saber, ele só, a verdade inteira ... Ninguém se entendia sobre o bem e o mal, nem sabia quem se havia de condenar ou absolver. Matavam-se uns aos outros levados por uma raiva absurda...Ninguém sabia e todos andavam inquietos. Cada um propunha as suas idéias, as suas reformas e não havia acordo; ... Aqui e ali se reuniam vários grupos, combinavam uma ação comum, juravam não se separar - mas logo depois esqueciam-se da resolução tomada, começavam a acusar-se uns aos outros, a bater-se, a matar-se. Os incêndios e a fome completavam o triste quadro. Homens e coisas, tudo perecia. O flagelo estendia-se cada vez mais. No mundo só podiam salvar-se alguns homens puros, predestinados a refazer a humanidade, a renovar a vida e a purificar a terra; mas ninguém via esses homens; ninguém ouvia as suas palavras e suas vozes. (Crime e Castigo)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Situações/Relações


Noite do sexto dia


Olhe



Você tem visto um horizonte ultimamente?
Vá ver um horizonte. Meça-o
de onde você está e faça-nos saber
o comprimento. (Yoko Ono, Olhe, 1966).

6th day evening
Watch
have you seen a horizon lately?
go see a horizon. measure it
from where you stand and let us
know the length.

Um comentário:

aless.-z disse...

tá na hora de divulgar mais esse blog, tá muito bom, os escritos são bons e é agradavel até de ver, por causa das cores.