Devagarinho.

Devagarinho.

Sonhos de Raskólnikov (Dostoiévsky)

Nunca os homens se julgaram tão sábios, tão seguros da verdade... Nunca tinham tido mais confiança na infalibilidade dos seus juízos, na solidez das conclusões científicas e dos princípios morais. (...). Cada qual julgava saber, ele só, a verdade inteira ... Ninguém se entendia sobre o bem e o mal, nem sabia quem se havia de condenar ou absolver. Matavam-se uns aos outros levados por uma raiva absurda...Ninguém sabia e todos andavam inquietos. Cada um propunha as suas idéias, as suas reformas e não havia acordo; ... Aqui e ali se reuniam vários grupos, combinavam uma ação comum, juravam não se separar - mas logo depois esqueciam-se da resolução tomada, começavam a acusar-se uns aos outros, a bater-se, a matar-se. Os incêndios e a fome completavam o triste quadro. Homens e coisas, tudo perecia. O flagelo estendia-se cada vez mais. No mundo só podiam salvar-se alguns homens puros, predestinados a refazer a humanidade, a renovar a vida e a purificar a terra; mas ninguém via esses homens; ninguém ouvia as suas palavras e suas vozes. (Crime e Castigo)

domingo, 16 de dezembro de 2012

O segredo da Alma

A alma é um engano. Não existe. Um erro desde muito acreditado pelos que quiseram e ainda querem transcender para um outra vida. Viver mais. Um erro, nada mais.

sábado, 30 de julho de 2011

Ice Cream Conversations

Blog Pics

Amy Winehouse

Amy Winehouse and Blake Fielder-Civil during day 1 of the Coachella Music Festival on April 27, 2007 (Photo by Michael Buckner)

Scrapbook Photos

Celebrity photo gallery! Check out real photos!

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terça-feira, 26 de julho de 2011

O grande Schopenhauer, A arte de escrever.

Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância à instrução e a verdade. Entretanto, nesse caso, as aparências também enganam. Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração freqüenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade.

sábado, 2 de julho de 2011

Mário de Andrade, um Ninjisnsky

Desvario. Desvairado. Louco. Loko. Dançarino. "Diuturnamente cantareis e tombareis. As rosas... as borboletas......" os gatos, os fogos, as risadas.... "Descansai! (quase a sorrir, dormindo). Adaptação quase igual, loka, de MINHA LOUCURA do Ninjinsky poeta. Tá na poesias completas de Mário de Andrade. Pela Editoria Vida Melhor lá do Rio de Janeiro. Esses trechos aqui são de uma edição recente, 2009. Só coisa de doido, desvario total da nação. Que país é esse?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vinho Tall Horse, da Africa do Sul

Stardust

Stardust

london fifth

london eighth - Só sei London

Annie Leibovitz fotografa John Lennon horas antes dele ser assassinado...

Oil on canvas, 160 x 186 cm.Kuzma Petrov-Vodkin, Bathing the Red Horse, 1912. Oil on canvas, 160 x 186 cm.

Mikhail Vrubel, Six-Winged Seraph, 1904. Oil on canvas, 131 x 155 cm.

Philipp Malyavin, Dancing Peasant Woman, 1913. Oil on canvas, 210 x 125 cm.

Wassily Kandinsky, Composition VII, 1913. Oil on canvas, 200 x 300 cm.

Marc Chagall, Promenade, 1917–18. Oil on canvas, 170 x 163.5 cm.

Valentin Serov, Ida Rubinstein, 1910. Tempera and charcoal on canvas, 147 x 233 cm.

The Saatchi Gallery

london tenth - Samuel Beckett

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cioran conversando comigo e com outros.

"Em si mesma, toda idéia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada... Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas. Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses. A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável. Mesmo quando se afasta da religião o homem permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam."


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ela Morreu ontem, ele morreu antes. Ambos estão para a eternidade.

Críticos falam da cena da mantega, são uns idiotas. É o diálogo que Marlon Brandon fala pra moça repetir sobre as famílias, muitas, que ensinam a primeira mentira às crianças. Isso incomodou, e incomoda até hoje...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mais um pouco de Luz na escuridão, Os guias estão cegos...precisam ser guiados. A ignorância, a Petulância cega.

Trechos de Pesadelo Refrigerado e outras adições: (adaptação e inclusão livre)

Para ser um ser humano é preciso ter alguma grandeza. Nenhum partido político é capaz de estabelecer o reino do ser humano. Precisamos parar de dar ouvidos a fanáticos líderes para alguma união autêntica. Mas, escravos não podem se unir (você é escravo?, você joga o jogo? Você usa a desculpa "todo mundo faz isto", você é do mesmo tipo que critica?, você é um teórico apenas? você vive no que diz?); covardes não podem se unir (você é daqueles que diz "eu parei" quando ainda nem começou?), ignorantes não podem se unir (você é tagarela, fala sobre tudo e nada ao mesmo tempo?).
O impulso de se superar tem de ser instintivo (está lendo este instintivo, não duvide!), não é teórico muito menos porque você acredita (tem de lutar, a vida quer, requer coragem). Ah depois eu penso nisso, você continuará fracassando e estará no mesmo níveis de todos que critica.
Defendemos coisas mesquinhas que apenas nos dividem cada vez mais, temos medo de qualquer impulso que nos levante da lama (se é daqueles que diz que o mundo é maravilhoso você é um idiota que não enxerga um palmo diante do seu nariz). Lutamos apenas pelo status quo, nosso status quo particular. Na verdade não existe status quo, só na cabeça do imbecis. Existe fluxo, eterno fluxo. Quem não luta já tá morto, e sabe disso. O insconciente fala.
Qual a maior traição? Questionar por que alguém (eu=outros) pode está lutando?
A guerra é confusão. Na cabeça dos homens, recorrem à força. Lutar é admitir que está confuso, é um ato de desespero, não de força. Um rato pode lutar magnificamente quando está encurralado. Vamos Imitar o rato?
Para despertar a natureza apaixonada do ser humano, para entregá-lo ao diabo e expô-lo ao teste supremo, é preciso haver um conflito que envolva algo mais ( estão me ouvindo, algo mais) que país, princípios, ideologias etc. O ser humano em revolta contra a sua nauseabunda natureza - essa é a verdadeira guerra. (Revolucione-se, Revolucionando-se, revolucionará o ar à sua volta). Essa é uma guerra sem sangue que continua para sempre, sob o nome pacífico de evolução. Nessa guerra o ser humano se equipara aos anjos. Embora , como indivíduo, possa ser derrotado, pode ter certeza do resultado - porque o universo inteiro está com ele. Este experimento humano não é de ordem científica. A resposta ao grande experimento está no coração; a busca tem de ser conduzida para dentro. Temos medo de confiar no coração. Habitamos um mundo mental, um labirinto em cujos recessos escuros há um monstro à espera para nos devorar. Até esse ponto caminhamos numa sequência que mais parece um sonho-pesadelo ( diga-se em qual ponto você está? Mostre-se se vê algum horizonte? Caminhe sem medo, não precisa se apequenar, ficar de quatro. Ereto, ereção). Caminhamos sem encontrar soluções, porque estamos fazendo as perguntas erradas. Só encontramos aquilo que procuramos, e estamos procurando no lugar errado. Precisamos sair das trevas, abandonar essas explorações que são apenas fugas de medo. Temos de parar de andar de quatro. Temos de sair para campo aberto, eretos e plenamente expostos.
Ainda somos seres das cavernas, democráticos, mas isto não consolo. Nossa luta é para sair da caverna. Se fizéssemos o menor esforço nessa direção, inspiraríamos o mundo todo. Vamos romper todas as amarras que nos prendem. Vamos deixar de amar a terra de um jeito perverso. Vamos parar de fazer o papel de reincidentes. Vamos parar de nos matar. A terra não é um antro, nem uma prisão. A terra é um paraíso, abra seus olhos. Não precisamos fazer dela um paraíso, ela é um. Só temos de nos capacitar para habitar nele. O ser humano doente não é capaz de reconhecer o paraíso quando lhe é mostrado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Poema em Linha Reta (Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, outro deles.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Metrô Virtual, São Paulo, Mundo. Amor Passeia.

"O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse.
Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha?
Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio?
Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente?
O amor é um misticismo que quer particar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada."

(O rio da posse. Fernando Pessoa) - Uma querida me deu esse presente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Passagem de Nexus, of Henry Miller

"...Eloquente e irrefutável era sua linguagem silenciosa. Sem sequer afastar os lábios, elas nos revelavam claramente que o amor é algo que precisa ser repartido. 'Ame a mim como eu a amo'. Era essa a mensagem.", página 84, Cia das Letras.

sábado, 13 de novembro de 2010

Clarice Lispector: Perto de Um coração Selvagem

Um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia. Eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Henry Miller.

“Desejava que o olhos se extinguisse para que eu pudesse ter oportunidade de conhecer meu próprio corpo, meus próprios desejos. (...) Desejava ardentemente alguma coisa desta terra que não trouxesse a marca de fábrica do homem, algo absolutamente divorciado do humano de que eu já estava farto. (...) Desejava sentir o sangue refluindo em minhas veias, mesmo à custa de aniquilação”.

Henry Miller, Trópico de Câncer.

“Hoje sinto orgulho que dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que nada tenho a ver com a maquinaria rangente da humanidade – eu pertenço à terra! (...)


Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça de artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça pra baixo, e os pés sempre se movendo em sangue e lágrima, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance a fim de acalmar o monstro que lhe corrói as entranhas. (...) E tudo quanto fique aquém desse aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos terrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. Esse resto é falsificação. Esse resto é humano. Pertence a vida e à ausência de vida.

(...) Se sou inumano é porque meu mundo transbordou de suas fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miseravel, limitada pelos sentidos, restringidas pelas moralidades e pelos códigos, definida pelos lugares-comuns e ismos.

(...) Tenhamos um mundo de homens e mulheres com dínamos entre as pernas, um mundo de fúria natural, de paixão, ação, drama, sonhos, loucuras, um mundo que produza êxtase e não peidos secos.

(...) Que os mortos comam os mortos. Dancemos nós os vivos, à beira da cratera, uma última e agonizante dança. Mas que seja uma dança !”


Henry Miller “Trópico de Câncer”

Henry Miller, um dos preferidos. Claro, por mim.

"Como todos os homens eu sou o meu pior inimigo. Como muitos poucos homens, porém, também sei que sou a minha única salvação"

Grande Pessoa, Frida. A loka.

Na vida entre Detroit e Nova York, em 1933...
"À um jornalista que veio entrevistá-la, perguntando-lhe o que fazia nos momentos livres, ela respondeu sem hesitar:
- faço amor. Embaraçado o jornalista continuou...
- Qual seria o seu ideal de vida?..
- Fazer amor, tomar um banho, fazer amor, tomar um banho, fazer amor, banho, amor, banho...Quer que eu continue?
- Não, obrigado Sra. Rivera. Poderia dizer-me duas palavras sobre Detroit?
- Um buraco...de aço. Com burgueses um pouco mais blindados do que nos outros lugares. Normal."

Um pouco de Nelson Rodrigues, Genial e Polêmico

“A ficção para ser purificadora precisa ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de todos nós”.